Vejamos, quem mais posso me tornar hoje?! Quem sabe sentirei toda a vida, passada - curta- , futura - quem sabe? -. Sair cantarolando... Aaaahhhhh! Quero tudo isso.... Quero tudo pra mim! Só pra mim, só para eu poder dividir com o mundo todo o mais do mesmo! Quero me agarrar nessa ideia de vida que sigo, quero puxá-la, arrastá-la, dividi-la, em segredo com o mundo! Vida, alguma coisa... acontece! Quero me mover, me locomover, me esbaldar. Posso gargalhar?!
Devo continuar cantando, dançando, tocando a vida assim, reclamando, me preocupando, fazendo sorrir, errando e acertando. Devo isso à vida. Devo isso a nada mais, nada menos que EU! Dentro de mim há altares há todos os "EU"s...
Vejamos, vejamos... Quem mais consigo me tornar hoje?! Uma louca apaixonada rasgando o vestido de culpa... Um poeta que se esqueceu de tomar perfume e... perdeu a graça da canção.
Serei! Serei tudo isso que sufoca, que esmaga, que preenche o vazio do meu peito que é tão grande que não há mais espaço para a solidão. Serei a revolta, a despedida, a Revolução. Tudo isso que está aí... Cuecas, meias, malas que se entopem de dinheiro, do nosso dinheiro. Dinheiro dessa gente que acha que riqueza é dinheiro e poder.... Rico aquele que reconhece que, não!
Vejamos, vejamos... Quem vou amar hoje?! Parece absurda a pergunta! Como posso decidir quem devo amar?! Mas foi para isso que eu vim, devo isso ao mundo. Amar... Amar e amar as coisas... Não como são. Mas como posso torná-las!
Ser velha, desastrada, fria, romântica, curiosa, preguiçosa... Enquanto pintava meu sonho numa tela qualquer, por puro acidente, pingou amarelo, fazendo um Sol no meu sonho, sonho tão escuro... E então, olhei para o céu e agradeci por ser assim... Tão estabanada!
Pena que o sonho acabou...
Fera




